Micelium
Em uma noite de iluminação artificial, nos
subúrbios da única cidade do Planeta Libélulus, uma traça que voava em espiral
na direção das lâmpadas, desmaiou. Ao contrário do habitual e regular voo recto
em direção à lua, a iluminação da capital Óvulos destinou a queda de Micelium
sobre um cogumelo. Um oráculo foi-lhe revelado num sono profundo e mordaz ao
toque do fungo que transformou o seu corpo de insecto em um hibrido humano.
Neste Planeta negligenciado pelos humanos, são os habitantes a minoria e apenas
existem na cidade de Óvulos, um forte seguro para estes mal-encarados
autointitulados de burgueses.
Os burgueses desrespeitam a natureza e os híbridos
humanos que socializam em tribos diversas. A cidade de Óvulos é uma ruina que
vai desaparecendo lentamente na folhagem que já cobriu toda a superfície de
Libélulus. As tribos vivem entre a floresta e as ruinas de cidades, concentram
a sua energia em rituais e métodos de preservação e adaptação ao crescente da
flora que domina a paisagem em Libélulus. Os burgueses retraem-se e,
escondem-se no medo que se reflete no
uso da violência para estas criaturas que apelidam de os raros.
Mas algumas destas criaturas são prisioneiras dos
burgueses. São uma população minúscula há muitos milénios sobre a mesma terra, sem alterarem as suas
atividades de extração de astenosfera e mesosfera do manto terrestre. Os
livros são para eles pesados instrumentos fáceis de usar para agredir as
fascinantes criaturas mágicas. Sabem pouco sobre elas, porque também não sabem
o que é a magia nem o espirito. Descente
para descente, que já faz muito tempo que esqueceram os seus deuses. Cada
criatura mágica abre um portal para um deus ao reconhecer-se como parte da
natureza. Os burgueses manifestam uma rejeição deste facto, mantendo os livros
não acessíveis aos raros. Devido à sua maldade sem limites, profetizam que os
deuses são seus inimigos, interditam o acesso de os raros aos livros. Da mesma
forma que não são leitores.
Micelium vai para a cidade sem saber nada dobre
estes desafios, é mal tratado pelos burgueses e salvo por uma criatura mágica,
Queer Deer. Um elegante hibrido que era um veado anteriormente à sua
transformação. Partilha com Micelium um livro que clarifica o oraculo que ele
sonhara durante a sua transformação. As ilustrações e descrições são rituais e
manifestações de um futuro crescente da modificação do eixo vertical que
atravessa Libélulus, transitando no ponto de Zenith para um eixo horizontal. O
livro ilustra também, uma criatura mágica idêntica a Micelium a praticar uma
constelação de levantamento aéreo da rede de micelio. O objetivo no livro é
claro, brotar novos troncos na copa das árvores e gerando raízes que se
conectam à rede de micélio e em consequência um planeta etero.
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